Pular para o conteúdo
Arrighi.IO, engenharia sob medida
Ilustração: monitor coberto de post-its ao lado de um manual fechado
artigo

Ela pediu demissão. O manual ficou.

E ninguém consegue usar.

por Fellipe Rodrigues Arríghi

Se a sua melhor funcionária pedisse demissão hoje, o que ia embora junto com ela?

Não estou falando do trabalho que ela faz. Esse, alguém aprende. Estou falando do que ela sabe: qual cliente pode esperar e qual não pode, quando abrir uma exceção, qual pedido vai dar problema lá na frente.

A maioria das empresas se sente protegida porque tem manual. Ela escreveu tudo, com cuidado, e está numa pasta. Na primeira situação fora do comum, ninguém consegue usar.

Gente boa vai embora

Entre maio de 2025 e abril de 2026, 9,1 milhões de brasileiros pediram demissão. Gente boa recebe proposta, muda de cidade, quer outra coisa. Faz parte.

Ninguém segura gente boa para sempre. O que dá para segurar é o que ela sabe.

Por que o manual não segura

O manual guarda bem o passo a passo. O problema aparece nas situações que fogem dele. O que faz diferença é o critério, e critério só aparece quando a situação aparece.

Perguntada no vazio, a pessoa responde "depende". Ela não está escondendo nada. Nunca precisou explicar, porque sempre foi ela quem resolveu. Por isso o manual sai certo e incompleto: tem a regra e perde o "aí depende".

Como eu trabalho

Eu não peço para ninguém escrever. Faço o contrário:

  1. Sento com ela em cima dos casos reais que chegaram na semana.
  2. Cada vez que ela diz "aí depende", eu pergunto: depende do quê?
  3. Cada resposta vira uma regra.
  4. A regra vai para dentro da ferramenta que a equipe já usa, e não para uma pasta.
  5. Na hora de decidir, o sistema pergunta o que ela perguntaria.

O manual precisa que alguém lembre que ele existe. O sistema aparece sozinho, na hora certa.

Ela continua valiosa. E o que ela aprendeu apanhando, ao longo de anos, começa a ficar na empresa.

Uma pergunta para fazer hoje

Se ela avisasse hoje que sai daqui a trinta dias, o que você correria para perguntar a ela?

Essa lista é o começo do trabalho. Se ela veio rápido, vale uma conversa.

Fonte: pedidos de demissão no Brasil, dados do Novo Caged (via Agora Vale).

Compartilhe este artigo
WhatsAppLinkedIn
Falar comigo

Reconheceu a sua empresa aqui?

Me conta o problema em duas linhas. Na primeira conversa eu escuto, pergunto, e você sai com uma página com a minha leitura do problema. Ela é sua.