Se a sua melhor funcionária pedisse demissão hoje, o que ia embora junto com ela?
Não estou falando do trabalho que ela faz. Esse, alguém aprende. Estou falando do que ela sabe: qual cliente pode esperar e qual não pode, quando abrir uma exceção, qual pedido vai dar problema lá na frente.
A maioria das empresas se sente protegida porque tem manual. Ela escreveu tudo, com cuidado, e está numa pasta. Na primeira situação fora do comum, ninguém consegue usar.
Gente boa vai embora
Entre maio de 2025 e abril de 2026, 9,1 milhões de brasileiros pediram demissão. Gente boa recebe proposta, muda de cidade, quer outra coisa. Faz parte.
Ninguém segura gente boa para sempre. O que dá para segurar é o que ela sabe.
Por que o manual não segura
O manual guarda bem o passo a passo. O problema aparece nas situações que fogem dele. O que faz diferença é o critério, e critério só aparece quando a situação aparece.
Perguntada no vazio, a pessoa responde "depende". Ela não está escondendo nada. Nunca precisou explicar, porque sempre foi ela quem resolveu. Por isso o manual sai certo e incompleto: tem a regra e perde o "aí depende".
Como eu trabalho
Eu não peço para ninguém escrever. Faço o contrário:
- Sento com ela em cima dos casos reais que chegaram na semana.
- Cada vez que ela diz "aí depende", eu pergunto: depende do quê?
- Cada resposta vira uma regra.
- A regra vai para dentro da ferramenta que a equipe já usa, e não para uma pasta.
- Na hora de decidir, o sistema pergunta o que ela perguntaria.
O manual precisa que alguém lembre que ele existe. O sistema aparece sozinho, na hora certa.
Ela continua valiosa. E o que ela aprendeu apanhando, ao longo de anos, começa a ficar na empresa.
Uma pergunta para fazer hoje
Se ela avisasse hoje que sai daqui a trinta dias, o que você correria para perguntar a ela?
Essa lista é o começo do trabalho. Se ela veio rápido, vale uma conversa.
Fonte: pedidos de demissão no Brasil, dados do Novo Caged (via Agora Vale).


